12.6.12

'The Boss' e recados ao Governo no fim do Rock in Rio Lisboa

Bruce Springsteen para 81 mil na última noite na Bela Vista

Levou quase 20 anos para voltar a Lisboa mas valeu a pena, como diriam muitas das 81 mil pessoas presentes na noite de domingo no Parque da Bela Vista. Com a E Street Band, Bruce Springsteen, mais conhecido por 'The Boss', reinou naquela que terá sido a noite mais apoteótica deste Rock in Rio Lisboa.

Deixando para o final êxitos intemporais, como 'Born in the USA', 'Glory Days' e 'Dancing in the Dark', Springsteen não se poupou na entrega e envolvimento com a plateia durante quase hora e meia de revivalismo.

Enérgico, imparável e com voz poderosa, 'The Boss' percorreu uma carreira de hits que atravessam gerações - perante uma assistência a rondar os 30/40 anos - e desfilou canções conhecidas de todos como 'Death in My Hometown', 'No Surrender', 'Working on the Highway', 'Promised Land' ou 'The Rising'.

"Está alguém a faltar?", perguntou, num português muito razoável, antes de põr todos de mão no ar, a acenar. "Esta é sobre coisas que ficam para sempre", voltou a gritar, na língua de camões, em 'My City of Ruins'.

As piadas em português sucederam. "Onde está a Maria? Ficou em casa a cuidar das crianças", brincou o norte-americano de 62 anos, sempre imparável, perante risota geral de uma multidão que não arredou pé até ao final. E que ainda viu uma criança de caracóis bem definidos a cantar com 'The Boss', em palco, o refrão de 'Waiting on a Sunny Day', em mais um momento memorável desta noite intensa de lua cheia.

"Viémos com uma missão", gritaria ainda Bruce Springsteen, com a irrepreensível E Street Band em fundo, para gáudio dos milhares presentes. E a missão foi totalmente cumprida com a sensação de ter valido a pena ir ao último dia do Rock in Rio, numa noite de céu limpo e com um cartaz dos mais enérgicos desta edição.

XUTOS METEM MULTIDÃO A CANTAR PARA "COELHINHO"

Antes, a banda favorita dos portugueses já justificara, também, uma das maiores enchentes da edição de 2012. Presença habitual na Cidade do Rock, os Xutos & Pontapés deram este domingo um concerto memorável e não esqueceram a situação nacional, levando 81 mil pessoas a cantar (e rir), em coro, um refrão bem adaptado: "Coelhinho se eu fosse como tu pegava na troika e metia-a no..."

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/lazer/musica/the-boss-e-recados-ao-governo-no-fim-do-rock-in-rio-lisboa