Miguel Gonçalves Mendes
Miguel Gonçalves Mendes, realizador de “José e Pilar”, afirma que o filme tem “toda a legitimidade” para ser nomeado e mesmo ganhar um Óscar, mas teme o senão da pouca visibilidade da cultura portuguesa.
“Espero que dê [para conseguir a nomeação para um Óscar na categoria de melhor filme estrangeiro]. Infelizmente, sabemos que a visibilidade de Portugal não é muita, sobretudo nos Estados Unidos, um país etnocêntrico, pouco curioso com o que se passa no resto do mundo”, disse à Lusa em Nova Iorque.
“Mas, sem querer dizer que [“José e Pilar”] é melhor que os outros, acho que o meu filme é muito bonito e muito universal, tem toda a legitimidade para ser nomeado e ganhar um Óscar. Não é nada que me surpreenda”, adianta.
O jovem realizador falou à Lusa na galeria Rooster, em Nova Iorque, cidade onde participa na “Semana de Saramago” organizada pelo Arte Institute,
A iniciativa inclui o visionamento de “José e Pilar”, candidato à nomeação para a categoria de melhor filme estrangeiro dos Óscares 2012, no Museu de Arte Moderna (MoMA), na próxima terça-feira.
Envolvendo a viúva de José Saramago, Pilar del Rio, e o próprio realizador, a semana de atividades dedicadas ao Nobel português da Literatura inclui também eventos na Galeria Sonnabend, na Universidade de Rutgers e no restaurante português “Pão”, onde irá atuar a banda Noiserv.
Para o primeiro evento, Gonçalves Mendes foi entrevistado numa galeria de arte da cidade, com cerca de duas dezenas de pessoas na assistência e transmissão de vídeo em direto pela internet, através do site do Arte Institute.
Para Gonçalves Mendes, a iniciativa “é obviamente boa para o filme”, como também o foi uma crítica “absolutamente extraordinária” na semana passada no New York Times à tradução inglesa de “Caim”.
“O filme dá uma visão pessoal do homem. Não e ficção, não é falso, não é uma elegia insuportável ao homem e obra, é um retrato sobre a vida de um homem, que por acaso é Nobel, que quis escrever um livro, adoeceu, e conseguiu acabar de escrever esse livro”, disse à Lusa.
Mendes cita Pilar del Rio que apontou ao filme a qualidade de, “pela primeira vez”, dar ao espetador o “privilégio de ver a vida de um grande autor”, como Hemingway ou Shakespeare.
Sem querer “entrar em autoelogios”, Gonçalves Mendes aponta como principais atributos da candidatura portuguesa aos Óscares a “universalidade, o lado inspirador que filme tem e sobretudo o fator novidade”.
“É uma nova forma de construir um documentário, foge ao documentário clássico e académico, é construído como narrativa clássica de ficção sem ser ficção. É algo novo em termos formais, e isso deixa-me feliz”, afirma.
Aponta também o facto de a revista Variety ter descrito o filme como “tão cuidadosamente construído, que por vezes parece ficção”.
O filme acabou de se estrear no México e na Itália e vai estrear-se na Argentina em breve.
Aos ecrãs norte-americanos chega em abril, por mão da Outsider Pictures, de Los Angeles.
http://www.destak.pt/artigo/109616-oscar-para-jose-e-pilar-seria-natural